Apresentando Danny Daze
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Apresentando Danny Daze

February 28


Nestes dias que antecedem o Dekmantel Festival São Paulo 2018 - que acontece esse final de semana - postaremos uma série de pequenas entrevistas com alguns dos artistas do line-up. Hoje falamos com Danny Daze, um dos expoentes do Electro em Miami.

Você poderia se apresentar?
Olá, sou o Danny. Comecei no break dance quando moleque e isso acabou fazendo com que me tornasse o DJ de várias das batalhas de break que fazíamos em Miami. Ingressei no universo do Electro/IDM em 1990/2000 e sou muito grato por poder fazer aquilo que eu amo até hoje.

Na sua biografia, a primeira coisa que me chamou atenção foi a frase: “foram os clássicos Electro e Miami Bass que conceberam o amor de Danny Daze pelas cenas de Electro experimental holandês & Techno de Detroit dos anos 90.” Porque a atração por esses gêneros específicos da época? O que te atraiu a elas?
Miami é um desses lugares que as pessoas ouvem muito a respeito, mas realmente não conhecem a história da cidade em relação à música. Miami tem uma conexão fortíssima tanto com Detroit quanto com grande parte da cena holandesa da Costa Oeste. Isso fica claro em muitos dos lançamentos mais antigos da Bunker, Clone ou Viewlexx. Por exemplo, era muito comum misturar faixas de Miami Bass com discos holandeses como "Get It Boyz" ou "Los Hermanos Rodriguez". Foi a vibe punk desses selos que me atraiu. Ao ponto de até mesmo os títulos das faixas passarem uma mensagem que eu queria seguir.Lembro-me de ter cerca de 16 anos e ler o título da faixa “I Do Because I Couldn’t Care Less”[Eu faço porque não estou nem aí]. Isso teve uma enorme influência sobre mim, tanto de forma sonora como ideológica.

Você cresceu em Miami. Como era a cena naquela época e como foi que ela se tornou o que é hoje? 
Eu entrei nesse universo em 1999, quando ainda era jovem demais pra entrar nos clubes, mas frequentava as raves para todas as idades. Meu point era um lugar chamado Malibu Caslte Park. Era uma casa de games que fazia raves toda lua cheia. Miami sempre focou em Bass, então eu costumava ficar mais nas salas de Electro e IDM do Malibu. Naquela época, dava pra assistir gente como o Richard Divine, Phoenecia ou Tipper nesses shows. Isso me levou a mexer com uma versão hackeada de fruity loops, pra tentar recriar os sons que eles tocavam. Houve uma enorme mudança por volta da época em que o vinil começou a desaparecer, em meados dos anos 00, onde as pessoas que estavam indo a esses eventos simplesmente pararam de sair. Isso fez com que a geração mais jovem assumisse a cena das festas, gerando uma grande lacuna entre o que consideramos ser essa cena específica de IDM / Electro e o que temos hoje. Havia muitos selos proeminentes baseados em Miami, que também pareciam ter parado de soltar releases, provavelmente porque estavam perdendo dinheiro fabricando vinil. Selos como Schematic, M3rck e Mass Transit Authority são a razão pela qual eu estou aqui hoje. Eu ainda toco muita música lançada por esses selos e continua sendo um som fundamental pra mim.

Como DJ, você é conhecido pela sua abordagem mais ousada, pós-punk, até mesmo pra tocar em festas grandes. O que ou quem serviu de inspiração para o seu estilo de discotecagem?
Então, acho que isso volta pra pegada que os selos que eu seguia representavam. Também curtia DJs como o DJ Craze, que participavam das batalhas de DJs, então essa ideia de que teria que me manter dentro dos parâmetros do Electro ou Techno foi rapidamente descartada. Eu sempre gostei de DJs que se arriscam, e apesar do risco nem sempre compensar, pelo menos existe vida naquele set e ele se torna algo que as pessoas lembrarão.

Você já lançou vários EPs como produtor, além de comandar o seu selo, Omnidisc, que já lançou releases de artistas como Drvg Culture, David Vunk, Black Merlin e Cliff Lothar. Qual é a visão que o selo carrega e o que podemos esperar pro futuro?
Na verdade, a Omnidisc é filha de um selo que tive em 2006, chamado Omniamm. Originalmente, a ideia era poder lançar as músicas dos amigos e continuamos na mesma pegada hoje. Eu me esforço para dar aos artistas de Miami um selo com uma vibe de grande família. Como eu disse acima, os selos como a Schematic e a M3rck foram uma enorme influência pra mim, justamente por saber que o som saía de Miami – então eu tenho a mesma expectativa com a Omnidisc.

Você toca pela primeira vez no Dekmantel essa semana. Quais os planos para o público em São Paulo?
Eu simplesmente amo tocar no Brasil. Aquela turma sabe como festar e eu me sinto honrado de tocar ao lado de tantos DJs incríveis. Eu tendo a tocar um som mais agressivo, mas sempre incluo minha herança Hispânica nos ritmos, então podem esperar uma pegada bem Funk de Electro/Techno e alguns clássicos instrumentais de Miami Bass que eu toco bastante e que eu acho que conversam muito bem com a cena de Baile Funk do brasil.

Mais alguma coisa na agenda que você está esperando ansiosamente?
Eu tirei 3 meses da minha agenda pra gravar o meu álbum, o Dekmantel é a minha primeira gig desde então e eu estou bem ansioso pra voltar a tocar. Também estou bem ansioso com a finalização desse álbum pra que eu possa finalmente cruzar o meu quarto sem tropeçar em fios de áudio no meio da noite. Haha.